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Júlio Barroso o homem que fez o rock brasileiro tocar no rádio






O homem que fez o rock brasileiro tocar no rádio

 
Um novo documentário sobre a história não contada do compositor, poeta e agitador cultural Julio Barroso, criador da Gang 90.
julio
Ricardo Alexandre, jornalista, me envia um email simpático sobre o documentário que está lançando no canal BIS, de música. Marginal Conservador fala de Julio Barroso e estreia na segunda (18 de março). Julio era um editor, DJ, poeta, compositor e cantor carioca que criou a Gang 90 & As Absurdettes. Mas era sobretudo o que se chama “agitador cultural” – um desses termos que caíram em desuso. Antenado, febril, aglutinador, esperto, ele é uma das figuras centrais do rock dos anos 80 no Brasil. Numa época pré-MTV, quando discos importados custavam uma fortuna e demoravam meses para chegar, Julio voltou de Nova York, onde morou, com uma visão do que acontecia lá fora e injetou modernidade no rock’n’roll brasileiro.
Influenciado pelas bandas que curtia, como Talking Heads, B-52’s, Gang of Four e Kid Criole and The Coconuts, montou a Gang, um bando anárquico com três backing vocals bonitas e desafinadas. Ele mesmo não cantava nada, o que não fazia diferença. Sempre de óculos fundo de garrafa e camisa social ou camiseta, parecido com um caixa de banco, dava bem seu recado.
Fizeram enorme sucesso. Tocaram no festival da Globo de 1981. A música era Perdidos na Selva (cujo coautor era Guilherme Arantes, que não pôde assinar a parceria porque já concorria com Planeta Água, aliás vice-campeã do festival). O Maracanãzinho cantou em coro.
Julio conseguiu capturar os novos tempos. Antes dele, ninguém tinha ouvido falar em new wave ou pós-punk por aqui. Emplacou diversos outros hits, como Nosso Louco Amor, tema de uma novela da Globo, Telefone e Noite e Dia, feita em parceria com o amigo Lobão, que gravou uma versão mais famosa. Fez a cabeça de muita gente de sua geração. “Nunca conheci alguém com seu nível de loucura, criatividade e talento, porque não adianta o cara ser muito louco e não fazer porra nenhuma”, diz Lobão.
Julio morreu em 1984 ao cair da janela de seu quarto. Tinha apenas 31 anos. Estava, segundo os amigos, limpo, após anos de abuso de cocaína e álcool. Não viu o rock nacional estourar nas rádios e na televisão, encher estádios, dar muito dinheiro – e nem a posterior ascensão do axé e do sertanejo.
Marginal Conservador tem ainda os depoimentos da ex-Absurdette Taciana Barros, sua última namorada, do jornalista Okky de Souza, cunhado de Julio, e do ex-guitarrista do grupo Miguel Barella. Fica a sensação de que faltou um pouco mais de gente para ser ouvida (embora a ausência de Nelson Motta, autointitulado inventor e testemunha de virtualmente todos os movimentos musicais brasileiros, seja uma bênção). As circunstâncias estranhas de sua morte talvez merecessem mais apuração. Segundo Taciana, ele pediu socorro, pendurado na janela. Os jornais noticiaram que foi suicídio. Barella considera um acidente trágico.
Marginal Conservador é uma viagem nostálgica e uma bonita história não contada de um visionário muito doido.

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